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Na casa do alto da colina, Antonella, uma menina de cinco anos com cachos castanhos e olhos que pareciam dois cafezinhos, lutava contra a noite que insistia em não deixá-la dormir. As cobertas eram macias, mas o silêncio da casa parecia grande demais para o seu peito pequenino. Seu pai, Breno, uma pessoa de 34 anos com cabelos cacheados castanhos e olhos negros como a noite, entrava no quarto com passos suaves. Ele trazia nos dedos um objeto que brilhava como uma estrela caída: o Bastão das Histórias, um artefato mágico que, segundo ele, era capaz de criar qualquer história que Antonella pudesse imaginar. — Vamos tentar, minha querida? — ele sussurrou, abrindo o Bastão, e uma luz dourada desenhou desenhos dançando na parede.
Antonella fitou o bastão curioso, e um sorriso tímido apareceu. — Eu quero uma história que me leve a um lugar onde o sono não me fuja, papai. Onde as nuvens são macias como algodão e as palavras são canções. — Disse as palavras, o Bastão respondeu com um tilintar suave, e a sala ganhou um brilho suave que fez a cortina parecer uma porta para outro mundo. Breno abriu um sorriso que era mais uma promessa do que uma resposta. — Então feche os olhos, minha amiguinha das estrelas, e vamos juntos criar esse lugar. Primeiro, chamaremos a Luz da Noite para nos guiar. — E assim, o Bastão das Histórias começou a brilhar com um calor delicado.
Do brilho emergiu uma pequenina criatura que parecia um vaga-lume com asas de seda: Lume, a fada-luz. Ela piscou para Antonella e disse, com voz suave, — Bem-vinda ao Bosque do Sussurro. Aqui, cada folha sabe o segredo de adormecer quem está acordado.” Antonella arregalou os olhos, mas não sentiu medo; a magia parecia cuidar dela, como um cobertor invisível. Breno sorriu, observando a menina ganhar coragem. — Lume, por favor, guie-nos por onde precisa passar — pediu. E Lume começou a tremular, abrindo caminho entre árvores que sussurravam histórias antigas.
No caminho, encontraram Mika, uma coruja pequena de olhos curiosos que vestia uma capa de penas cintilantes. Mika pousou sobre um galho baixo e, com a voz de quem entende de sonhos, explicou: — A floresta não dorme porque o coração das criaturas precisa de lembranças. Mas quando alguém compartilha uma lembrança boa, o sono chega mais rápido. Antonella, com a cabeça apoiada no joelho de Breno, disse: — Eu tenho muitas lembranças, mas às vezes elas parecem voar para longe quando eu tento dormir. — Então vamos agarrá-las com um sorriso, respondeu Mika, apontando o caminho para uma clareira onde o céu parece brincar com as nuvens.
A clareira revelou um lago de vidro que reflectia as estrelas como se fossem peixes brilhantes. Perto dali, encontraram Pipo, um esquilo falante que batia o pé no tronco de uma árvore, marcando o tempo. — Bem-vindos ao Lago Cantante, onde as palavras se tornam canções, — anunciou Pipo. — Antonella, escolha uma palavra que você quer ouvir até adormecer, e eu ajudarei a transformá-la em música. Antonella pensou por um instante, escolheu a palavra 'paz', e Pipo começou a cantar com uma voz que parecia madeira antiga contanto segredos do bosque. A música parecia abraçar cada fibra do corpo de Antonella.
Enquanto a canção fluía, Breno encostou o Bastão nas mãos da filha e explicou: — A magia não é fugir do sono, querida, é conduzi-lo com a imaginação. Cada personagem que conhecemos aqui é uma forma de acalmar a mente: Lume traz luz suave, Mika ensina paciência, Pipo transforma palavras em música. Se você se sentir cansada, pode ouvir a cada nota ou apenas seguir o brilho do Bastão. Antonella ouvia atentamente, e a tensão que pesava sobre o peito diminuía como neve sob o sol da manhã.
Eles voltaram a caminhar pela trilha verde que tinha o formato de um sorriso, quando de repente ouviram a voz de Nina, uma coruja sábia que vivia no topo de uma winda, uma árvore que parecia respirar devagar. Nina contou: — O segredo do sono não está em evitar os monstros da noite, mas em transformar medo em curiosidade e silêncio em canção. Com a ajuda de Breno, Antonella experimentou dizer em voz baixa tudo o que a inquietava. — Eu tenho medo de sonhar com pesadelos, disse ela. — Então sonhe com um amigo que o espanta com carinho, sugeriu Nina. Ao encarar o Bastão, Antonella sentiu que a história poderia escolher seu próprio ritmo.
A lua, alta e tranquila no céu, resolveu colaborar de forma especial. As nuvens passaram como velas que se acendem e se apagam, e o Bastão lançou um brilho suave que pintou o quarto com cores de creme, rosa, e azul-pálido. Breno aproximou-se, beijou a testa da filha e murmurou: — Quando a história é boa, não tem pressa para terminar; ela se encerra quando você fecha os olhos com alegria. Antonella bocejou, seu queixo encostando nos ombros do pai, e sussurrou: — Eu estou me sentindo segura. O bastão ainda brilhava, mas seu brilho se tornou mais suave, como se tivesse entendido a necessidade de quietude.
O retorno para a cama foi feito com delicadeza. Breno ajeitou o travesseiro sob a cabeça de Antonella, que, aos poucos, começou a sentir o peso dos olhos. A cada respiração, a imagem do Bosque do Sussurro parecia se tornar mais real e, ao mesmo tempo, menos exigente. Antonella soltou um suspiro pesado, como quem libera uma borboleta presa no peito, e o Bastão parou de brilhar com a mesma intensidade. — Está chegando a hora de descansar, minha pequena exploradora, — disse Breno, com voz doce. — Obrigatória ou não, as histórias vão te esperar amanhã, quando o mundo estiver mais calmo.
Antes de adormecer, Antonella abriu os olhos apenas o suficiente para agradecer a todos que a haviam acompanhado naquela jornada mágica. Ela pegou na mão do pai e, pela primeira vez nessa noite, sentiu que o sono poderia ser uma aventura segura. O Bastão das Histórias, ainda repousando sobre o criado, emitiu uma última cintilação, tão suave que quase ninguém notou. Falando baixinho, Antonella respondeu: — Obrigada, papai. E Breno, sorrindo, repetiu: — Você não está sozinha, meu bem; nossa casa é cheia de amigos imaginários que prometem estejam sempre aqui para te guiar de volta para casa, quando a noite ficar muito escura.
Conforme os minutos se afundavam na tranquilidade, a voz do vento parecia cariciar as cortinas e sussurrar uma moral que se entrou na pele da menina: a imaginação é uma ponte entre o coração inquieto e o descanso profundo. A cada noite, quando Antonella fechava os olhos, ela sabia que poderia convidar o Bastão para acender outra história — não para fugir do sono, mas para torná-lo um amigo fiel. E assim, o sono finalmente chegou, suave e doce, como o abraço de Breno, que permaneceu ao lado de Antonella até que a lua fosse apenas uma lembrança cintilante no céu.
Moral da história: a imaginação é uma ferramenta poderosa que transforma a ansiedade em curiosidade, o medo em coragem, e a noite em um lugar onde o sonho pode cuidar de você. Dormir não é apagar a luz da mente, mas permitir que as histórias a iluminem suavemente até o amanhecer. Ao partilhar essa magia com quem amamos, descobrimos que o sono pode ser uma aventura serena, cheia de amizade, risos e paz.